Soares Opinião #2

Dilemas em tempos de pandemia

Elias Soares

Por Redação GSNews

12/04/2021 às 13:32:39 - Atualizado há

Vivemos um período complexo e lotado de inseguranças nas relações pessoais, emocionais, tarefas corriqueiras e dilemas diários que colocam a prova nossos valores, princípios, escolhas e prioridades.

Esse período é favorável para o surgimento de dúvidas que envolvem as tomadas de decisões de todos os atores da sociedade, como: qual o equilíbrio entre a reclusão e uma economia saudável e ativa? Quando o sistema de saúde público atingir sua capacidade máxima, quem poderá ser escolhido para ser salvo? Devemos priorizar a proteção e direitos dos indivíduos ou podemos infringi-los em nome de um interesse coletivo? Os chamados dilemas éticos são moralmente muito complexos de solucionar ou até mesmo sem solução.

No âmbito econômico, o principal dilema ético está entre: a adoção de políticas para o enfrentamento da pandemia e os desafios de manter a economia ativa e reduzir os impactos econômicos sobre o mercado e evitar o aprofundamento da pobreza, da desigualdade e, no limite, da fome.

É função do Estado, em última instância, garantir mecanismos que respondam ao enfrentamento da crise econômica. Ano passado o Governo utilizou de um recurso criticado por Ele próprio na campanha e implantou o AUXILIO EMERGENCIAL.

Ao meu ponto de vista foi possível alívio ao impasse entre a quarentena e a economia, e com o passar da jornada esse recurso foi se esgotando, tendo os valores reduzidos e hoje temos recursos disponíveis que "não compram uma cesta básica" pelo próprio comentário de quem está recebendo.

Sabemos muito bem que a longo prazo, mantendo o ritmo de R$600,00 por tempo indeterminado, a situação teria efeitos eleitoreiros e terríveis para a economia a médio e longo prazo com aumentos da inflação, desvalorização da moeda, aumento no endividamento e a confiança dos mercados externos gerariam consequências duras e igualmente complexas.

Não que a bagunça da briga de poderes no Brasil não gere os mesmos prejuízos a confiança nos investimentos estrangeiros, mas a solução é está em apenas "imprimir dinheiro e repassar pro povo" e sim readequar orçamentos para que as famílias e do Estado possam minimizar os efeitos da crise .

No campo da saúde, os dilemas éticos são intensificados em um cenário de pandemia e calamidade pública. A demanda por equipamentos, medicamentos e tratamentos se intensificam, o consumo, e a escassez, levam a decisões complexas como decidir quais vidas valem mais para a sociedade, em que o valor social de cada pessoa é medido e avaliado. O dilema da tomada de decisões não é fácil.

No contexto da pandemia, as soluções tecnológicas nos apoiam a lidar com a quarentena, seja através da comunicação pessoal ou profissional, ou a prestação de serviços à distância, como a telemedicina e os estudos. No entanto, não se pode deixar de refletir entre o equilíbrio das relações de força entre indivíduos e seus direitos e os benefícios da tecnologia.

Na minha opinião, se queremos construir uma sociedade mais justa, digna e igualitária, nossos parâmetros precisam ir além do que a forma que estamos enfrentando toda esta situação.

É necessário um diálogo com ações, respeitando os princípios, valores e opiniões dos indivíduos, o que infelizmente tem sido dilaceradas pela forma que a sociedade trata e encara as situações de confrontamento.

Empatia ao invés de críticas. Vale a reflexão, "O que você tem construído, o que tem deixado de legado para o bem da sociedade? Pois estamos suscetíveis a encontrar com a morte a qualquer momento e o que restarão são as lembranças daqueles que conviveram conosco.

Que tenhamos sabedoria nesses dias maus e empatia para dosar da melhor forma este desafio que a sociedade humana está enfrentando.


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